Precisamos falar sobre aborto

aborto

Segundo a ONU, no mundo, cerca de 70 mil mulheres morrem por ano em decorrência de abortamentos inseguros, sendo que 95% dos casos acontecem em países em desenvolvimento onde o aborto é crime. No Brasil, uma mulher morre por a cada dois dias pela mesma causa, sendo esta a quinta causa de morte materna no país.

Uma pesquisa feita pelo instituto do coração da USP mostrou que a curetagem (cirurgia que tem como finalidade limpar os restos de um aborto) foi a cirurgia mais praticada pelo SUS entre 1995 e 2007, chegando ao valor de 3,1 milhões de registros. E, segundo o ministério da saúde, por ano, cerca de 250 mil mulheres são internadas em decorrência de abortos, sendo que o número de abortos clandestinos no período varia entre 800 mil e 1,2 milhão. No mundo, o valor chega a 20 milhões, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde).

Apesar de proibido, o aborto acontece. Uma pesquisa realizada pela UNB (Universidade de Brasília) indica que 15% das mulheres brasileiras realizou algum aborto ao longo da vida e que 55% destas mulheres ficou internada após o procedimento. Como a proibição não impede que o aborto provocado aconteça, o que diferencia a segurança com que será feito é o poder aquisitivo: uma mulher pobre recorrerá ao procedimento clandestino, usando métodos completamente inseguros. Enquanto isso, uma mulher rica recorrerá a uma clínica e realizará um procedimento clandestino, porém seguro. A diferença no risco de morrer, chega a 1000 vezes em cada uma destas situações.

Neste ano, o conselho federal de medicina, defendeu que o aborto seja liberado até a 12ª semana de gestação e uma pesquisa IBOPE feita com católicos aponta que 82% dos católicos jovens e 75% dos demais são a favor da liberação da pílula seguinte e que 60% dos entrevistados são contra a criminalização de uma mulher que tenha abortado.

Esses dados evidenciam que este não é um problema de proibição ou não, mas sim um problema de saúde pública. Ninguém defende que as mulheres sejam obrigadas a abortar e o objetivo de quem luta pela legalização do aborto é que nenhuma mulher precise recorrer ao procedimento, no entanto, para isso, é necessário que a educação sexual e as formas de prevenção de uma gravidez sejam conhecidas por todas as mulheres e que os métodos contraceptivos sejam disponibilizados na rede pública. Porém, se mesmo assim, uma gravidez indesejada acontecer, que a mulher tenha acesso ao aborto seguro para não morrer em decorrência de complicações do procedimento clandestino.

Leia mais:

Pesquisa nacional sobre o aborto – http://hotsites.pernambuco.com/2013/aborto-no-brasil/docs/pesquisa-nacional-de-aborto.pdf

http://www.ibope.com.br/pt-br/noticias/Paginas/Brasileiros-apoiam-mudancas-na-Igreja-Catolica.aspx

http://noticias.terra.com.br/brasil/videos/medico-faz-alerta-contra-estatuto-do-nascituro,473922.html

Brasileira pobre morre por aborto inseguro a cada dois dias no Brasil – http://www.pragmatismopolitico.com.br/2013/09/brasileira-pobre-morre-aborto-inseguro-2-dias-brasil.html

publicação em conjunto com a página Mariasmarias.

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